Ensino a distância

Publicado: 14/02/2011 em EDUCACIONAL
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Todas as vezes em que se fala em ensino a distância (EAD) numa das instituições que dou aulas, todos se arrepiam. Desde os docentes, coordenadores, corpo administrativo e, principalmente, os alunos. Apesar de ser uma tendência relativamente antiga no meio acadêmico, aqui no Brasil ainda engatinha, por isso ainda há alguns contratempos, sejam eles técnicos, sejam por parte dos alunos, que ainda têm dificuldade em assimilar a proposta.

Independente do culpado, o processo pode até não andar a uma velocidade desejada, mas tem que andar. Assim, os professores (não me cabe falar dos outros envolvidos no processo) fazem das tripas coração para que a coisa saia do melhor jeito. Em algumas instituições, usa-se algum tipo de plataforma acadêmica para reunir todas as ferramentas necessárias a uma “aula não-presencial”, que pode ser através de textos para serem baixados, vídeo-aulas, fóruns, chats etc. Acho, realmente, uma coisa muito legal mas, como disse, ainda precisa de muitos ajustes para funcionar bem. Alguns até dizem que o EAD não tem futuro, como li numa reportagem dessas revistas do segmento educacional.

Mas, seja contra ou a favor, o EAD é uma realidade e os professores, de fato, se esforçam bastante, inclusive lançando mão, para os alunos que não conseguem se adaptar ao sistema, de artifícios tão conhecidos da era pré-EAD, como xerox na pasta, atendimento no corredor na hora do cafezinho e email.

Eu, por questão de tempo (pretendo concluir meu Mestrado até setembro deste ano), estou sem disciplinas EAD há algum tempo. Mas, de certa forma, continuo a dar os meus tiros na modalidade. Uma das coisas que mais faço quando estou conectado à internet é responder aos emails dos alunos, seja para assuntos da Coordenação, ou mesmo para matar dúvidas de aula. E vou te contar: alguns dos emails saem melhor que muita aula que ministro.

Por exemplo, um email que reproduzo abaixo, sobre qual estratégia meus orientados deveriam utilizar no seu Projeto Experimental. A aula sobre o assunto, foi ministrada (por mim mesmo) no semestre passado:

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From: Tiago Efectus
Date: 14 de fevereiro de 2011 09:49:49
To: “Prof. Lelo Brito”
Subject: Dúvida: posicionamento

Bom dia, Lelo, tudo bem?

Estamos com dúvidas quanto ao posicionamento. Aqui vai uma:
Podemos utilizar mais um tipo de posicionamento? É que, pelo que analisamos aqui, o Itaucard pode ter posicionamento por benefícios, mente, foco e escala.
Podemos trabalhar estes tipos ou é melhor “escolher” um e trabalhar mais pesado em cima dele?
Abraço!

Tiago Vieira Silva de Jesus

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From: “Prof. Lelo Brito”
Date: 14 de fevereiro de 2011 10:39:29
To: Tiago Efectus
Subject: Re: Dúvida: posicionamento

Bom dia, Tiago!
Não. É preciso escolher apenas uma estratégia de posicionamento.
Posicionamento é criado para se estabelecer a maneira como a marca será reconhecida/lembrada/associada pela mente do consumidor.
Se opta-se por mais de uma estratégia, corre-se o risco de se criar um posicionamento confuso na mente dele, resultando ou em rejeição, ou em dispersão.
Pessoalmente, optaria pela estratégia de benefícios, já que esse é u dos grandes diferenciais do cartão.
Primeiramente, listem todos os atributos do cartão. Num segundo momento, listem os benefícios. Feito isso, releiam a lista de atributos e determinem em que tipos de benefícios cada um deles pode se converter e completem a lista de benefícios.
Me tragam essas duas listas nesta quarta-feira para estudarmos juntos.

Por que não os outros?
Por mente, ou lembrança, pelo simples fato de que a marca Itaú já faz isso pelo cartão, assim como por todos os seus produtos. Assim, seria arriscado apenas contar com os valores agregados da marca, que poderia resultar até em um futuro problema.
O posicionamento por foco é uma estratégia difícil e complicada de se aplicar. Há um risco enorme em se utilizar o conceito equivocado. Por isso, é necessário, antes de tudo, fazer uma pesquisa profunda, mais quali, para tentarmos identificar o conceito que o PA mais se identifica e fazer alguns testes. Aquele case da Skol que usei como exemplo dá a entender que foi fácil. Mas só deu essa impressão porque está pronto e mastigado pelo Prof. Lelo. O conceito do “redondo” não surgiu da noite pro dia. Infelizmente, não temos tanto tempo para aplicar uma pesquisa decente para tal propósito.
O por ESCADA (não escala), definitivamente, não é o caso. A marca Itaú pode não ser a líder no market share nem share of mind, mas, com certeza, a diretoria e os acionista não acham atraente a ideia de se trabalhar com o conceito “o segundo melhor cartão”, ou “a marca que está entre as 5 mais respeitáveis de cartão de crédito”. Uma instituição bancária da envergadura do Itaú, jamais poderia se dar ao desfrute de se posicionar dessa maneira. Afinal, em se tratando de dinheiro (principalmente o nosso e não do banco), confiabilidade vem agregada apenas a conceitos como “melhor”, “maior”, “mais sólido” etc.

Ajudei?
Qualquer coisa, grite novamente!

Abração,

Lelo

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comentários
  1. Filipe Crespo disse:

    Lelão,

    Eu sou contra o EAD. E posso dizer isso propriedade, pois já estive dos três lados da moeda. (ih..a moeda só tem dois lados). Não, a moeda tem três. Basta tentar colocá-la em pé e descobrimos a terceira face. hehe

    Mas voltando ao assunto do EAD, estive na pele de aluno, professor e produtor de conteúdo.

    Ao meu ver, não rola e por um motivo muito simples: nossos alunos não estão preparados para aprender algo sem a figura de um professor. Você colocar um conteúdo em EAD que já foi ministrado em aula é uma coisa. Porém, colocar no EAD um conteúdo novo, que o cara não viu em sala de aula, não vai rolar.

    A figura do professor, com suas manias, frases prontas e exemplos tornam a compreensão do assunto, muito mais fácil e por mais dinâmico e interativo que seja o EAD, nada se compara a nós, os professores.

    Não curto, não gosto e não acho que dá resultado.

    Isso porque eu estou falando apenas da questão do aproveitamento do tipo do ensino EAD, porque se fossemos falar da questão político-social por de tras desse tipo de estudo…vize, a história seria ainda maior.

    Abração.

    • Lelo Brito disse:

      É, Filipão… por razões que você bem conhece, tenho que ter uma postura neutra, por enquanto.
      E não é só pela razão acima (que vai ficar oculta e tá acabado!). Eu também passei por duas experiências traumatizantes com o EAD, mas vejo em outras instituições o negócio andando relativamente bem.
      Agora, no que se refere à presença do professor no processo do ensinar, tou contigo e não abro. E não é só pelos nossos empregos, mas também pela qualidade do ensino.
      EAD é nada além que um suporte, não um meio em si.

  2. Tiago Efectus disse:

    Na faculdade, a experiência com o EAD nunca foi a das melhores. Antes, era tudo em Flash muitas vezes dava pau. Depois, mudaram para HTML e a coisa ficou relativamente mais simples, mas não mais usual. Sugeri uma vez que fosse alterada a fonte dos textos para uma que tivesse serifa, para que as leituras fossem menos cansativas na tela, mas a sugestão parece que nunca foi levada a sério. Mas o buraco, nesse caso, nem era pra ser tão embaixo. O conteúdo de EAD deveria ser mais dinâmico, não apenas colocar longos textos para leitura e depois propor exercícios. Falta adequação à rede, mas, primeiramente, acho que falta adequação da plataforma de ensino. Pelo jeito, os professores que alimentam o EAD têm apenas espaços para textos e links. O que há de novo nisso?

    Já participei de cursos EAD do Sebrae e achei a plataforma deles muito boa. As ferramentas interativas não são nada revolucionárias, mas estão muito à frente de muita coisa que vi por aí. A plataforma do Yázigi também é ótima, com muito mais interação. Dá vontade de navegar e explorar conteúdos.

    Ah! E escolher entre o EAD da instituição e mandar e-mail para você, fico com a segunda opção e os vários endereços que tenho aqui hehehe!

    Muito obrigado pela ajuda, Lelo!

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