Não dê as costas a esse encontro

Publicado: 10/06/2010 em EDUCACIONAL, PROPAGANDA, PUBLICIDADE
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Ontem na PUC me deparei com algo realmente assustador: cartazes espalhados anunciando o ERECOM.

Calma! Apesar do nome infeliz, na verdade uma sigla, não tem nada a ver com remédio para impotência ou filme pornô-épico. Erecom (não consigo me conformar com esse nome/sigla) é o Encontro Regional de Estudantes de Comunicação Social.

A princípio, parece ser algo válido. Talvez eu tive essa impressão pelo fato de o Juca (Jogos Universitários de Comunicação e Artes) ter ocorrido na semana passada. O Juca é um evento bem legal (bons tempos…) em que os estudantes da maioria das faculdades de  Comunicação se reúnem e confraternizam-se em jogos e competições.

Agora, esse Erecom (já estou com medo da palavra) é uma desfeita ao bom senso, a começar pelo nome. A maioria da galera que vai lá é daqueles saudosistas dos anos 1960/70, que ainda acha que o poder deve ser tomado na marra pelo povo, que defende a estatização da empresa do pai e que acha bonito dividir a fazenda alheia entre famílias de sem-terra, mas quando vai embora da faculdade, fecha os vidros do carro, conecta seu iPod pelo bluetooth no sistema de som e sai acelerando, escutando Chiclete com Banana no talo, lembrando das frases cheias de verve (e rimas) nos debates acalorados.

Falo isso pois já fui estudante e fui a esses encontros (sempre atrás de alguma ‘mina’ que, quando descobria como era curto o meu repertório frases marxistas, não queria mais me dar) que são a mesma coisa desde então. Claro, com a exceção do iPod e do bluetooth. Mas eram sempre a mesma coisa:

– O ensino está decadente! (ninguém largava a faculdade);

– O governo é corrupto! (ninguém estudara história pelo jeito);

– Acabem com o embargo a Cuba! (realmente, bastante pertinente);

– Legalizem a maconha! (nem falo nada…).

E por aí vai. Atualmente é a mesma coisa. Outro dia ouvi uma conversinha entre alunos que falava sobre o fato de as elites sempre estarem no poder e que isso nunca iria mudar. Uai!? Mas não é o Lula que tá lá agora? Não é ele que prega a eterna luta de classes (que ainda, insisto, para mim é uma briga entre o 8º B e o 8º A) e que desce o cacete na ‘zelite’?

Enfim, não entendo. Bom, até entendo, mas o universo blogueiro é bastante severo com quem não veste camiseta do Che ou lê Veja (nem que seja para acompanhar a Copa…).

O phoda é que a rapaziada vai lá, grita versinhos, punheta alguns conceitos e não se resolve nada de útil. Não se chega a conclusão nenhuma.

O ensino está decadente? Pode até ser. Algumas instituições ainda se orgulham de poderem manter a qualidade que vem praticando a décadas. Outras porém, criam sistemas em que fica mais ‘fácil de entrar e mais ainda de sair’ com o canudo na mão, às vezes até com o sacrifício da qualidade, frente a uma mensalidade que ‘cabe no seu bolso’.

Mas, o que se esquece é de fazer uma análise ‘à lupa’ (como dizem meus patrícios). No papel de advogado do diabo, sou obrigado a registrar que as instituições que implementam tais sistemas facilitadores se beneficiam de mecanismos estabelecidos pelo Governo e seu Ministério da Educação e que há um nivelamento por baixo no ensino em alguns lugares pois há uma massa cada vez maior de alunos mal preparados no ensino fundamental ingressando no ensino superior.

Assim, ou a instituição de ensino superior dá um jeito de ajudar aquele aluno fraco a entender, ou ela fecha, o que causaria um outro tipo de dor de cabeça ao aluno fraco. É uma tendência antiga de o aluno sentir dificuldade em determinada escola pedir transferência para outra que ele tem certeza que facilitará a vida dele. Assim, algumas escolas não tão tradicionais acabam baixando o nível e a mensalidade, o que atrairá cada vez mais alunos carentes que, infelizmente, tiveram minado o seu sonho de ingressar numa universidade pública por terem tido um ensino fundamental sofrível em qualidade.

Então, conclui-se que o assunto qualidade no ensino é bem mais complexo que simplesmente culpar as instituições de ensino ou os professores.

Mas, recomendo assim mesmo que o estudante de Comunicação vá ao evento. Mas sem essa contaminação ultrapassada de que a culpa é dos donos dos meios de produção, dos latifundiários, dos EUA ou de Israel.

Numa discussão sem recalques ideológicos, com certeza, o Erecom produzirá conclusões e resultados.

Ou pelo menos, piadinhas infames: “Erecom. Levanta sua audiência.”

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