Quebrando uma promessa

Publicado: 06/08/2009 em NOTÍCIAS POPULARES

Quando criei o Kickmarketing, pensei em escrever algo que não tivesse nada a ver com minha opinião sobre outro assunto que não fosse Comunicação ou Marketing. Pra isso, eu tenho outro blog (que por um acaso está bem sedentário ultimamente).

Mas, ao ouvir ontem o pronunciamento do presidente do Senado, o sr. José Sarney, comecei a repensar esse dogma genérico ao qual me impus. E não foram só as palavras gaguejadas do senador que me fizeram pensar. Por uma razão que desconheço, comecei a pensar em como os meus contatos e amigos reagiriam àquelas palavras. Os petistas de plantão vão dizer que é modinha gritar “Fora Sarney” e que o PSDB também tem seus pecados. Os peessedebistas vão gritar que o PT se alia à escória da política, coisa e tal.

Independente do que eles pensam, continuam sendo meus amigos. Mas é esse um dos pontos que me fez virar um apartidário fervoroso. Não apolítico, pois não sou dado à alienação. Só apartidário. Não consigo enxergar um partido como salvação e nenhuma ideologia pregada por eles tem 100% da minha simpatia. Infelizmente, aqui no Brasil (e em um monte de outros países), o conceito de partido é completamente deturpado.

Partido = Clube/Gangue.

Sim, é isso mesmo. Sinto que serei achincalhado pela minha declaração, mas é o que penso. Só para explicar melhor meu raciocínio, vamos pegar como exemplo o que tá rolando lá no Senado.

O PMDB é um notório aliado do PT no governo. Não me importa o porquê. Se foi pela farta distribuição de cargos e ministérios ou se foi porque o Lula se apaixonou pelos lindos olhos azuis do Sarney, foda-se. Como aliados, jamais veremos um cenário em que um lavará as mãos quando o outro estiver sendo julgado. O PSDB critica o PT por ser conivente com as falcatruas generalizadas e desce o cacete no PMDB por ser o partido responsável pela maioria delas.

Mas alguém se lembra de onde veio o PSDB? Pois é. Um racha “ideológico” dentro do PMDB fez com que figuraças saíssem e fundassem o partido atual opositor do governo. Por sua vez, o PMDB veio do MDB, opositor ao partido do governo militar, o Arena. Do MDB, surgiram também um monte de outros partidos que a gente vê por aí apoiando ou se opondo ao governo. Do Arena, surge o Democratas (que a Marta adora chamar de “Demo”), antigo PFL, mas que atualmente vemos abrigar algumas figurinhas do MDB também.

Ou seja, vem todo mundo do mesmo saco.

Após a eleição que tirou os militares do poder, havia realmente uma necessidade de reformas, de mudanças, de evolução. Sem entrar no mérito daqueles que promoveram essa transição, alguns que lá estavam não tinham intenções muito nobres. Com os anos, aqueles que encabeçaram essa nova fase da democracia brasileira, foram sendo substituídos por aqueles que estavam no segundo escalão. E foi aí que o troço degringolou.

Hoje, o que vemos é uma guerrinha particular, à margem da população geral, em que um partido é acusado e, para se defender, acusa o outro de volta. Abre-se uma CPI, com a mesa que a preside escolhida através de acordos entre as partes e fica tudo por isso mesmo. O corporativismo está bem mais enraizado do que a imprensa tem mostrado através do show que se tornou a crise no Senado.

Infelizmente, os protagonistas desse show são atores que são eleitos por nós, para nos representarem, mas ao chegarem lá, no poder, legislam e governam em causa própria. E nenhum projeto que se faça, eu disse nenhum, está efetivamente sendo benéfico à população. Bolsas esmolas que fazem com que o caboclo coma além do jantar, o almoço, não o fazem sair da condição de subnutrido ou analfabeto. Temos um caboclo menos subnutrido e semianalfabeto, morando, não num barraco, mas numa casinha do mesmo tamanho, um pouco melhor. No mesmo lugar do barraco.

E a galera lá no Planalto continua se acusando, brigando, culpando a imprensa. Às 18h, levantm-se de suas cadeiras, pegam seus carros oficiais e vão para suas casas funcionais (bem maiores que as casinhas dos caboclos que votaram nesles). O jantar estará pronto, servido e farto, acompanhado de um vinho que não brigue com o sabor da comida.

Repito: sei que serei xingado, zoado. Vou escutar um monte. Quer saber? Sem crise.

Essa é a minha opinião. Até aparecer alguém (não um partido) que me mostre através de atos, não de palavras, que tudo pode ser diferente. Não vou nem responder aos comentários (se rolarem). Nem se me chamarem de ‘Alice’, ‘Poliana’, sonhador, alienado etc. Todo mundo tem o direito de pensar como quiser. Só não têm o direito de quererem que eu pense como todo mundo.

Desculpe, galera.

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comentários
  1. Vinicius Duarte disse:

    Ainda bem que você “quebrou a promessa”.

    Pensa uma coisa, Lelo: todos os que enchem o twitter com tags #forasarney, replicando pensamentos de Arthur Virgílio, Pedro Simon, Heráclito Fortes ou Aloísio Mercadante (sim!!!), dividem-se, basicamente, em dois grupos: o dos que acham que estão participando de um “movimento cívico”, e eu os perdôo pela ingenuidade e “inocência útil”; e o dos mal-intencionados, que têm, sim, outro projeto de poder, e foram defenestrados democraticamente, através do voto. E aí a democracia brasileira corre perigo, porque a vontade popular demonstrada nas urnas pode ser vilipendiada com esses joguinhos de acusar. Assim: você cria uma crise institucional, que justifica derrubar na marra todo mundo. Quem comanda isso tudo? O Fortes? O Virgílio? Naaada! São grupos empresariais, de comunicação e outros com interesses contrariados. Passa muito longe de Brasília. Esses são apenas funcionários deles, e só estão lá porque eles mandaram. A “tag” da vez, verdadeiramente cívica, seria #foratodos, #foragolpistas.
    Quer saber? Não vou ficar enchendo a tua caixa de comentários, vou escrever sobre isso no meu blog…hehehe. Abraço

  2. Filipe Crespo disse:

    Lelo, você apenas fez o que pensei em fazer no meu blog,mas acabei por não fazer.

    Aliás, acho que poderíamos criar um blog para discutirmos essas questões que envergonham nosso país.

    Ontem, assisti ao vídeo da discussão entre os senadores Pedro Simom, Renan Calheiros e Fernando Collor de Melo. Isso… o nosso querido ex presidente da República.

    O vídeo está disponível no Youtube e para quem não viu, vale a pena ver aqueles senhores utilizando aquela casa para discutir questões morais ao invés de discutir propostas para a melhora do país.

    De um lado Pedro Simon, ligeiro, esperto, macaco-velho, se fazendo de coitado. Simon defendia a renuncia de Sarney. Claro… a opinião pública está com ele. Suplicy está com ele. Mercadante também.

    Do outro lado, Collor e Renan Calheiros, cretinos por natureza. Ambos na defesa do velho do bigode.

    Que vergonha que eu tenho desses políticos. Que vergonha eu tenho de ter Sarney como presidente do nosso Senado.

    E o Lula. Veio a publico e disse que não votou em Sarney, pois vota nos senadores de São Paulo.

    Ora, ele não votou, mas fez votar. Pediu votos para Sarney.

    Estou puto com isso.

    Ja pensei em ir à Brasília para manifestar.

    Não podemos ficar parados.

  3. […] no blog do Lelo Brito um post, fui comentar e, quando percebi, tava ficando tão grande o comentário que parei para não […]

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