Nome próprio

Publicado: 06/07/2009 em PUBLICIDADE
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Uma das coisas que eu mais pego no pé dos meus alunos na hora de criarem um nome para qualquer coisa que seja é a tal da pronúncia.

A primeira coisa que fazemos é escrevê-lo. Claro, toda criação de nome começa no papel, com aquela voz interna murmurando combinações de letras, sílabas e imagens. E é aí que mora o perigo… No papel, aquele nome parece bonito, sonoro e… Sonoro? Claro! Ainda não foi pronunciado pela voz do próprio criador (apenas pela vozinha na cabeça, lembram?). Será que os seus colegas terão a mesma facilidade em pronunciá-lo? Será que todos têm a mesma intimidade com o idioma do Barak Obama e entenderão o que estão tentando dizer? E, pra finalizar, por um acaso aquela palavra em outro país não teria uma conotação pejorativa ou negativa e que possa prejudicar sua aceitação?

Um dos exemplos que eu mais uso em sala de aula é o do Ford Pinto (veja a campanha americana abaixo).

1-ford-pintoPinto, lá nos EUA é o nome de uma raça de cavalo – mais especificamente aquele malhado, que aparece nos filmes de faroeste montado por índios – e foi um grande sucesso na década de 1970. Mas, e aqui no Brasil? Creio que frases como “Que tal dar uma voltinha no meu Pinto” ou “Fique aqui sentada no meu Pinto enquanto vou lá dentro comprar manteiga” não iriam pegar muito bem. Acho que foi por isso que a Ford decidiu lançar por aqui o Corcel

Outro exemplo é o Pajero, da Mitsubishi. Aqui no Brasil, o carro é objeto de desejo e um carro que empresta certa nobreza ao seu proprietário. Mas em determinados países da América Latina e na Espanha, pajero tem algumas conotações negativas. Na Colômbia, paja significa mentira. No Chile, além de masturbação (masculina) e do seu “produto”, pajero pode significar preguiçoso, pois há um mito que diz que a masturbação em excesso causa debilidade mental e cansaço (como é que não falaram em pelos nas mãos?).

Um novo exemplo da importância na escolha do nome de um produto, e que usarei em aula com mais frequência, é o Actimel, o novo produto da Danone. Basicamente, o Actimel é um leite fermentado, com lactobacilos, no melhor estilo Yakult (o verdadeiro e imbatível). O que pega, no nome pelo menos, é o sufixo ‘mel’.

Para o consumidor desavisado, o produto, no mínimo, é a base de mel, ou então, o produto tem mel em sua composição. Mas, há um aviso na embalagem, em fonte bold, dizendo “NÃO CONTÉM MEL”. Não contém mel? Então, por que ‘mel’? O “sobrenome” do produto é ‘L CASEI DEFENSIS’. O ‘L’, suponho, deve ser de lactobacilo. O ‘casei’ é a família do lactobacilo. Já o ‘defensis’, pelo que eu ouvi um nutricionista falando, é o nome comercial da bactéria e não defende nada. Concluindo: não passa de um Yakult metido a besta, com um nome que não condiz com o que ele faz (ou não faz).

Isso me lembra aqueles mesmos filmes de faroeste, em que os índios recebiam nomes de acordo com características que os pais desejavam que tivessem. Por isso, corríamos o risco de encontrar um índio magrelo, preguiçoso e que vivia doente, chamado Poderoso Urso que Mata Búfalos…

comentários
  1. Filipe Crespo disse:

    Muito bom esse post, Lelo.

    A foto do Ford Pinto não abriu.

    Achei até bom. Não estava afim de ver um Pinto mesmo. hehe

    Abs.

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