Marketing da diversidade

Publicado: 24/03/2009 em MARKETING
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Já está sendo amplamente divulgado que a próxima Parada Gay vai acontecer em junho. Se não me engano, será a 13ª edição. Paralelamente a ela, outros eventos ocorrerão também, como a 9ª Feira Cultural GLBT, o 9º Prêmio de Cidadania, o 9º Gay Day e a 7ª Caminhada Lésbica, além de outros pequenos eventos do segmento, caso mantenham a programação dos anos anteriores.

A própria Parada Gay já assume uma nova cara, diferente daquela com ares de moradores do gueto saindo pra tomar sol. O homossexual cada vez mais assume sua preferência e seu orgulho em ser gay. O próprio segmento, que já apresentava nichos bem definidos já há um bom tempo, está se microsegmentando cada vez mais. A tal diversidade pregada pela classe toma novas formas, mostrando que o homossexual, além de um consumidor voraz e exigente, tem particularidades que variam de acordo com o microssegmento a que pertence.

Muito se fala no poder e potencial de consumo do segmento homossexual. Desde o meu primeiro ano como estudante de Comunicação Social, em 1991, ouço profissionais da Publicidade e do Marketing dizendo que deveríamos prestar mais atenção a essa parcela da população. E pelo que me lembro, muitos deles diziam que falavam isso a todas as turmas já há um bom tempo.

Dessa época até os dias de hoje, se analisarmos com cuidado, o que já estava crescendo (sem trocadilhos) continua crescendo ainda mais. Segundo dados do site da Parada GBLT, o evento reúne em média mais de 3 milhões de pessoas, entre homossexuais e simpatizantes. Conta com uma estrutura até mais sofisticada que as dos eventos voltados a outros segmentos e com patrocinadores como a Caixa Econômica Federal e a Petrobras. Fora os outros eventos outsiders que acabam rolando paralelamente aos oficiais, somados aos gastos no comércio, hotéis etc. Realmente, é uma parcela da população que não tem nada de desprezível e nem (como brinco com meus alunos) “desprezável”.

Só para se ter uma idéia, na última edição da Parada, houve o lançamento de um guia de serviços em que constavam apenas empresas “Amigas da Diversidade”, ou seja, prestadores de serviço que garantem que, ao serem acionados por homossexuais, darão ao mesmo um tratamento tão bom ou melhor que é dado aos heterossexuais. Eu acho isso uma iniciativa muito legal, já que quase todos os meus amigos homossexuais têm uma história cabeluda sobre o tratamento dispensado por alguns profissionais ao descobrirem sobre sua preferência. Imaginem aquele encanador homofóbico ao descobrir que o rapaz que o chamou para consertar a válvula da descarga está combinando uma viagem pelo telefone, não com seu amigo de infância, mas com o namorado, para comemorarem oito anos de namoro?!

Alguns podem até dizer que isso tá mais para uma segregação por parte dos homossexuais, mas eu discordo. Não é porque a empresa aparece no guia que ela vai deixar de atender, por exemplo, à minha esposa. Eu vejo isso de duas maneiras. A primeira, como uma maneira brilhante de atender um segmento pouco explorado, apesar dos avisos dos acadêmicos. A segunda, como uma lição: todos somos iguais, independente da preferência sexual. Inclusive na hora de gastar dinheiro.

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