Fechando negócios em 3 minutos

Publicado: 11/03/2009 em MARKETING
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ambulante

 

Quem anda pelo corredor norte-sul da cidade de São Paulo fatalmente se depara com uma cena inusitada quando chega à Av. Tiradentes, um pouco antes da ROTA: uma legião de vendedores ambulantes entre os carros, disputando espaço com os motoboys, vendendo de tudo. Brinquedos, chocolates, paçocas, pipas, clipes de cinto de segurança, carregadores veiculares para celular… Uma variedade enorme de produtos para todos os tipos de gostos e públicos. E é isso que me faz ficar pensando, enquanto aguardo o farol abrir.

Podem me chamar de maluco, mas esses ambulantes de farol são uns heróis. Pensem comigo: os vendedores convencionais vivem reclamando do quanto é difícil fechar a cota do mês, do cliente mal-educado ou da comissão reduzida no mês. Agora, imaginem o ambulante. Será que eles conseguem bater a meta todo mês? Eu tenho aqui para mim que eles devem ter (se é que têm) metas diárias. Clientes mal-educados? Talvez possam falar sobre, se algum deles abrir o vidro…

Eu, pessoalmente, compro muito pouco deles, já que a maioria dos produtos não me interessam ou não estou no espírito de comprá-los. Mas vejo que a cada fechada de farol, pelo menos um carro da fila no meio daquele congestionamento compra algo deles, na sua maioria água e biju. E se repararmos, a maioria dos ambulantes nem se dá ao trabalho de anunciar seu produto. Eles, às vezes, passam pelos carros com um olho nos motoboys passando e o outro no infinito, quase distraídos… Mas aqueles que olham nos olhos do motorista (que não usa película escura nos vidros), sorri e oferece o produtos usando palavras, e não com aquele movimento que mais parece uma puxada de vara de pescar, com certeza vendem mais. Afinal, eles têm, em média, três minutos para vender seu produto, competindo por espaço com motoboys, pedintes e aqueles sujeitos que dizem que vão limpar o seu vidro com uma água suja de procedência duvidosa.

Os ambulantes têm que fazer milagres, inventando técnicas nada convencionais de venda. Por exemplo, aquele dispositivo simplérrimo feito com um saquinho plástico, recheado com balinhas, drops, chicletes ou paçocas nas extremidades, que eles colocam por cima do espelho lateral. Ainda por cima, pode conter uma mensagem que geralmente fala algo sobre não ter emprego e finalizando com o bom e velho “Deus o abençôe”. No começo eu ficava uma onça pois, neurótico com segurança como sou, esse dispositivo tirava um dos meus pontos de visão. Tinha vontade de dar um safanão no produto. Mas hoje eu encaro isso como uma nova modalidade de venda direta.

Relacionamento com o cliente? Claro que não existe! A maioria do pessoal passa correndo por ali e dificilmente parará no mesmo horário e na mesma fila. Pode até ser que um ou outro motorista compre mais de uma vez com o mesmo ambulante na semana (ou na quinzena…), mas falar em retenção de cliente vai parecer piada para eles. Outros termos mercadológicos como CRM, posicionamento, segmentação, macroambiente etc. podem soar estranhos aos seus ouvidos.

Ainda assim, eles fazem um comércio roots, simples e eficiente, que tem como princípio básico e força motriz ser formado por dois lados: alguém que quer comprar e outro que quer vender. Ou, na nomenclatura técnica da categoria, o “Fenômeno da junção da fome com a vontade de comer”.

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