“A Propaganda Manipula”

Publicado: 07/03/2009 em NOTÍCIAS POPULARES
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Você desce o cacete, mas bem que quer ter um, se já não tem...

 

Se tem uma coisa que realmente me tira do sério é a afirmação “a propaganda manipula”. Por dois motivos: um, porque quem fala isso geralmente ignora os significados das palavras Publicidade e Propaganda; o outro é porque não somos farmacêuticos para manipular nada!

Primeiro, é preciso explicar que Publicidade e Propaganda são, realmente, coisas diferentes (desculpe, Fábio Caim, mas são sim!). Eu sempre começo minhas aulas afirmando que o curso se chama Publicidade E Propaganda e não Publicidade OU Propaganda, afinal os dois termos, apesar de terem o mesmo propósito, têm significados e funções diferentes. Em resumo, Propaganda faz proselitismo (do Houaiss, “… catequese, apostolado”), ou seja, atrair e converter pessoas a uma religião, uma seita, uma doutrina ou um partido, um sistema, uma idéia etc. Torná-los adeptos, sectários, partidários (ainda de acordo com o Houaiss). Já a Publicidade tem como função auxiliar as empresas nos seus esforços de vendas, através de comunicação especializada.

Ambas seduzem, mas não manipulam.

Esse tipo de afirmação geralmente é feita por professores que querem por fogo na cabeça da molecada no 1º semestre, ensiná-los a serem críticos e seres pensantes… bah! Todos os anos sempre tem um aluno de um desses cursos que vem me procurar com um bloquinho de papel na mão e a tal afirmação na ponta da língua, seguida da pergunta “o que o senhor acha?”.

Numa das últimas vezes, quando fizeram a pergunta referente às campanhas de brinquedos e demais produtos para crianças, respondi que discordava da afirmação, dizendo que a manipulação não existia. A partir do momento em que há um mercado formado por pessoas que querem comprar e de empresas que querem vender, nós publicitários apenas os alcovitamos: “Prezado Público Alvo, gostaria de lhe apresentar a srta. Empresa. Sei que você procura algo incomum e essa jovem tem exatamente o que você precisa. Conversem um pouco mais e, tenho certeza, vocês descobrirão que têm muita coisa em comum…” Em seguida, disse que o publicitário faz o seu trabalho como qualquer outro profissional o faz. Um dentista cuida da saúde bucal, um médico busca curar um mal, um engenheiro projeta pontes, um padeiro faz pães e um publicitário ajuda a empresa cliente a vender mais e melhor os seus produtos. Além disso, expliquei a eles que existem um negócio chamado CONAR e outro chamado Código de Defesa do Conumidor e que esses dois cavalheiros norteiam o trabalho feito por nós publicitários. E, finalizando, expliquei que a função da Publicidade voltada às crianças é vender um brinquedo e não torná-lo assustador a ponto de as crianças o temerem. A criança tê-lo ou não, dependeria dos pais, que têm a responsabilidade de orientar as crianças, inclusive no aspecto da educação consumidora.

Os meninos gravaram tudo e sairam da entrevista dizendo que a visão que eles tinham a respeito, depois daquele dia, seria completamente diferente. De fato, eles expuseram à sala e à professora, idealizadora do trabalho “inovador”, a tal nova visão. E não é que a tal professora veio me procurar num intervalo de aula para reclamar da minha resposta?! Ela disse aos alunos que não acreditava que eu tinha dito tal absurdo e que eles estavam confundindo minha resposta. Coitada! Gostaria de ter uma câmera para registrar a cara dela quando repeti cada palavra dita aos alunos…

E a tal da história da proibição da Publicidade de cerveja e demais bebidas alcoólicas? Tem maior estupidez que afirmar que a Publicidade dessas bebidas estimula o aumento do consumo delas em escala cada vez maior e cada vez mais cedo? Quer dizer que o sujeito sai do trabalho às 19h30, louco pra tomar uma gelada porque viu na TV o comercial? Que tal essas pessoas que afirmam esse absurdo apagarem os seus cigarros, sentarem na frente de seus computadores e pesquisarem se houve diminuição no consumo de tabaco desde a proibição de campanhas publicitárias de cigarro? Por favor! Nem entre os adolescentes o consumo caiu!

Se for assim, pelo amor de Deus, não impeçam as campanhas de camisinhas! Eu gostaria de continuar trepando…

Acho que esse povo tem um pouco de inveja da gente. Sério! Eles ficam lá, com sua postura politicamente correta, suas caras sérias e idéias maduras de como o mundo seria melhor se todos os habitantes do planeta concordassem em tudo com eles, enquanto que nós publicitários ficamos o dia inteiro nos drogando e pensando em planos diabólicos para fazê-los comprar algo que está fazendo falta na sua vida.

Faz-me rir…

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comentários
  1. […] faz um tempinho que postei algo sobre tentarem achincalhar a Publicidade já no berço. Sim. Um monte de professores “bem intencionados” que pedem aos alunos um trabalho, de […]

  2. […] março deste ano, escrevi um artigo sobre a mania dos outros criticarem a Publicidade pelas agruras da humanidade. No começo, fiz um desabafo meia boca (que gerou mais uns artigos raivosos neste mesmo blog meses […]

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